Sábado, 24 de Outubro de 2026

Exportações do Piauí aos EUA caem 45,6% em 12 meses, perda chega a R$ 110,2 milhões

Publicado em 21/10/2026
Por Bismark Sousa
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/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As exportações do Piauí para os Estados Unidos recuaram 45,6% nos últimos 12 meses, o que representa prejuízo acumulado de R$ 110,2 milhões para a economia estadual. Os dados constam em levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgado na segunda-feira (19), que considera o primeiro ano completo do tarifaço do governo dos Estados Unidos ao Brasil.

O estudo compara dois períodos de 12 meses. De agosto de 2024 a julho de 2025, sem a tarifa, o estado exportou US$ 38,8 milhões. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, com a tarifa em vigor, o valor caiu para US$ 21,1 milhões, uma retração de US$ 17,7 milhões. A queda atingiu principalmente a cadeia produtiva do mel e provocou retração nas exportações em 62% dos 13 municípios piauienses que comercializam com o mercado norte-americano

Em todo o Brasil, a CNM identificou impacto negativo em 1.135 municípios, com prejuízo de R$ 66,8 bilhões para as economias locais. As maiores retrações ocorreram nas cadeias do petróleo, do café, do suco de laranja, do ferro-gusa e da silvicultura.

De acordo com a entidade, os registros do período com tarifa são os menores para as exportações brasileiras aos Estados Unidos desde 2021, com a participação do país nas exportações totais do Brasil encolhendo de 12,3% para 9,4%. Cerca de 271 dos municípios afetados zeraram as vendas ao mercado norte-americano. Antes do tarifaço, essas cidades somavam R$ 588 milhões em receitas com exportações. Os outros 864 municípios registraram queda média de 30% no valor exportado.

O levantamento também mostra que 58% dos municípios não conseguiram compensar as perdas com vendas a outros parceiros comerciais. No petróleo e no café, houve redução no volume embarcado, de 28% e 43%, respectivamente. No caso do suco de laranja, o prejuízo decorreu da queda de 33,7% no preço médio, mesmo com crescimento de 13,6% no volume exportado.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, é necessário fortalecer e diversificar os países de destino das exportações brasileiras, com novos parceiros comerciais, a fim de preservar a arrecadação e os empregos locais.

“Esse caminho é fundamental para as economias municipais, que já enfrentam tantas dificuldades, construam a resiliência necessária no enfrentamento às incertezas do comércio global”, avalia o presidente da CNM.

Fonte: O Dia

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