Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2026

Eleitorado jovem cai 22% em 16 anos e perde espaço nas Eleições 2026

Publicado em 16/08/2026
Por Renata Arrais
FA-IMG-fb660d1b35652f03e432.png
FA-IMG-fb660d1b35652f03e432.png
Eleitorado jovem cai 22% em 16 anos/Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O eleitorado brasileiro está mais velho para as Eleições 2026. Em 16 anos, a quantidade de eleitores com idade entre 16 e 24 anos caiu 22%, passando de 24,7 milhões em 2010 para 19,2 milhões neste ano. Os dados são de levantamento do Instituto Nexus, realizado a pedido da Agência Brasil com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A redução representa 5,5 milhões de jovens a menos no eleitorado. Ao mesmo tempo, o número total de eleitores do país aumentou 17%, de 135,8 milhões para 158,8 milhões. Com essa mudança, a participação dos jovens de até 24 anos caiu de 18,2% para 12,5% do eleitorado.

O movimento ocorre enquanto cresce a presença dos eleitores mais velhos. Segundo o TSE, o número de pessoas com título de eleitor ativo e idade a partir de 60 anos aumentou cerca de 74% desde 2010. Atualmente, esse grupo reúne mais de 36,8 milhões de eleitores.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a mudança na composição etária aumenta a importância do eleitorado mais velho nas estratégias eleitorais, especialmente em disputas acirradas.

Onde estão os jovens

A presença de eleitores com até 24 anos é menor justamente nos estados que concentram alguns dos maiores eleitorados do país.

O Rio Grande do Sul apresenta o menor percentual, com jovens dessa faixa etária representando 9% do eleitorado. Rio de Janeiro aparece com 10%, enquanto São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná registram 11% cada.

Na outra ponta, Roraima, Acre, Amapá e Amazonas têm a maior proporção de jovens entre os eleitores, com 18% cada. Maranhão registra 17%, enquanto Pará e Tocantins aparecem com 16%.

Os dados mostram uma diferença regional importante. Sul e Sudeste concentram os menores percentuais de jovens e também abrigam os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Voto jovem ainda pode decidir eleições

Apesar da redução no número de eleitores, os jovens continuam sendo um grupo relevante para as campanhas, principalmente pelo potencial de mobilização e engajamento.

O professor Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirma que as campanhas presidenciais ainda não sinalizaram como pretendem trabalhar com esse público nas Eleições 2026. A avaliação é de que as principais candidaturas podem ampliar a atenção aos jovens conforme avancem as pesquisas eleitorais.

Entre as principais preocupações desse eleitorado estão o primeiro emprego e a formação profissional. Segundo Fernandes, fatores como a situação econômica das famílias, a região onde os jovens vivem e os grupos sociais com os quais convivem também influenciam suas escolhas eleitorais.

O especialista ressalta ainda que não é possível tratar os jovens como um grupo uniforme, já que diferentes condições sociais e econômicas podem produzir comportamentos eleitorais distintos.

Participação nas urnas

Mesmo com o voto facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos, o comparecimento desse grupo foi superior ao registrado entre jovens de 18 a 24 anos no primeiro turno da última eleição.

Entre os eleitores de 16 e 17 anos, 82,9% compareceram às urnas. Já entre aqueles de 18 a 24 anos, faixa em que o voto é obrigatório, o percentual foi de 78,5%. A média nacional de comparecimento ficou em 79,1%.

A redução do peso numérico do eleitorado jovem, portanto, não significa necessariamente perda de relevância política. Em cenários de disputa apertada, a mobilização desse público ainda pode influenciar o resultado, enquanto o envelhecimento do eleitorado tende a alterar as prioridades e estratégias das campanhas.

 

Comentários