Apenas 40% das mulheres vítimas de violência doméstica no Piauí procuram a polícia para denunciar os agressores. O dado foi apresentado pela delegada Eugênia Villa em entrevista ao O Dia nesta sexta-feira (7).
Segundo a delegada, muitas vítimas procuram primeiro familiares, igrejas e amigos antes de recorrer às autoridades policiais. A demora para chegar aos serviços de proteção é apontada como um dos fatores que dificultam o atendimento aos casos de violência.
Eugênia Villa também afirmou que a dependência emocional tem influência na decisão das mulheres de denunciar ou não os agressores. Para ela, a estrutura patriarcal contribui para a manutenção de relações de dependência e dificulta a autonomia feminina.
A delegada defende ainda uma maior participação das mulheres em espaços de poder e decisão política. Na avaliação dela, a presença feminina nessas estruturas é importante para a elaboração de políticas públicas voltadas à proteção e à autonomia das mulheres.
Rede de atendimento
Entre os serviços disponíveis para mulheres vítimas de violência no Piauí estão o 190, para situações de emergência, o Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, e o programa “Ei, Mermã! Não se Cale!”.
O estado também dispõe do aplicativo BO Fácil para registro de ocorrências, das Salas Lilás, destinadas ao acolhimento e à escuta qualificada, e da Casa da Mulher Brasileira, que oferece atendimento especializado às mulheres em situação de violência.