A primeira-dama Janja Lula da Silva participou, nesta quinta-feira, 30 de julho, em Teresina, do lançamento do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, iniciativa do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência letal contra mulheres. Durante o evento, que reuniu representantes dos governos federal e estadual, Janja defendeu o fortalecimento de políticas públicas de prevenção, combate à misoginia e transformação de comportamentos marcados pelo machismo.
Em um dos momentos mais marcantes da cerimônia, a primeira-dama se emocionou ao falar sobre o desejo de ver um país onde nenhuma mulher tenha sua história interrompida pela violência. Ao recordar o feminicídio da universitária Janaína da Silva Bezerra, assassinada em Teresina em 2023, Janja afirmou que espera um futuro em que os nomes das mulheres sejam lembrados por suas conquistas e não por serem vítimas de crimes.

"Eu acredito, esse é o Brasil que eu quero. Eu nunca mais quero ter que ler o nome de uma mulher vítima de feminicídio. Quero ler o nome de mulheres que conquistaram seus diplomas, que viram seus filhos crescerem e se formarem. Esse é o Brasil em que acredito e pelo qual trabalho todos os dias", declarou.
O Piauí integra o Pacto Brasil Contra o Feminicídio desde 2025. Dados apresentados durante o evento apontam que o estado registrou redução de 66,67% nos casos de feminicídio entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da queda no número de mortes, as tentativas de feminicídio aumentaram 90%, passando de 20 para 38 ocorrências. Teresina concentra o maior número de registros, com 13 casos.
No cenário nacional, o Brasil contabilizou mais de 700 feminicídios no primeiro semestre de 2026, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Piauí apresentou queda de 61% no semestre, índice destacado como um dos melhores resultados do país.
A estratégia nacional apresentada em Teresina está estruturada em três frentes de atuação. A primeira prioriza ações educativas para combater a misoginia e promover mudanças culturais. A segunda prevê a identificação precoce de situações de risco e o fortalecimento das redes de proteção. Já a terceira busca assegurar atendimento às vítimas, acesso à Justiça e medidas de reparação para familiares.
Além de Janja, participaram do lançamento autoridades como o secretário estadual de Segurança Pública, Chico Lucas, e a ministra do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Márcia Lopes. Segundo os representantes, o pacto reforça o compromisso conjunto dos poderes públicos e da sociedade na prevenção e enfrentamento ao feminicídio.