Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2026

Mortes violentas caem no Brasil, mas feminicídios aumentam em 2025

Publicado em 23/07/2026
Por Renata Arrais
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Feminicídios aumentam em 2025/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil registrou redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025, alcançando o menor índice desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23). A taxa passou de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes, sendo a primeira vez que o indicador fica abaixo de 20.

Em números absolutos, o país contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado, contra 44.127 registradas em 2024. Desde o início do levantamento, em 2012, quando a taxa era de 27,7 por 100 mil habitantes, este é o menor patamar já registrado.

O levantamento considera como mortes violentas intencionais os casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e óbitos de policiais em serviço ou fora dele.

Entre os crimes que apresentaram redução estão os homicídios dolosos, com queda de 10%, os latrocínios, que diminuíram 17%, e as lesões corporais seguidas de morte, com recuo de 15,2%. Em contrapartida, houve aumento nos registros de feminicídios, que cresceram 4%, e nas mortes provocadas por intervenções policiais, com alta de 5,4%.

A pesquisa também revela diferenças entre os estados. Sete unidades da federação registraram crescimento nas mortes violentas em relação ao ano anterior: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Já a maioria dos estados apresentou redução, com destaque para Amazonas, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Piauí, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.

No Piauí, a diminuição foi de 15,7%, colocando o estado entre aqueles que mais reduziram esse tipo de ocorrência no período analisado.

Apesar da queda no número geral de mortes violentas, os casos de feminicídio continuaram em alta. Em 2025, foram registrados 1.571 assassinatos de mulheres por razões de gênero, média de 4,3 vítimas por dia e aumento de 4% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta que 44,4% das mulheres assassinadas no país foram vítimas de feminicídio, o maior percentual desde que o crime foi incluído no Código Penal.

As tentativas de feminicídio também cresceram, chegando a 4.189 registros, alta de 5,9% na comparação com 2024. As maiores taxas de feminicídios consumados e tentados foram observadas nas regiões Centro-Oeste e Norte, enquanto Sudeste, Nordeste e Sul apresentaram índices menores de violência letal de gênero.

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