Segunda-Feira, 16 de Fevereiro de 2026

OMS e Ministério da Saúde descartam risco de pandemia por vírus Nipah após casos isolados na Índia

Publicado em 01/02/2026
Por Renata Arrais
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Vírus Nipah/Foto: Ruslanas Baranauskas/Divulgação

O recente registro de casos do vírus Nipah na Índia não representa ameaça de pandemia nem oferece risco à população brasileira, conforme avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. O surto envolveu apenas dois casos confirmados, ambos entre profissionais da área da saúde, sem indícios de transmissão internacional.

De acordo com o Ministério da Saúde, o último diagnóstico foi confirmado em 13 de janeiro. A partir desse registro, as autoridades sanitárias identificaram e acompanharam 198 pessoas que tiveram contato com os infectados. Todos os monitorados apresentaram resultados negativos nos testes, o que reforça a avaliação de controle do surto.

Em nota, a pasta destacou que não há, no momento, qualquer sinal de alerta para o Brasil. O órgão afirmou ainda que segue acompanhando a situação de forma permanente, em articulação com organismos internacionais e instituições científicas de referência.

O governo brasileiro mantém protocolos contínuos de vigilância e resposta para agentes de alto risco, com atuação conjunta de entidades como o Instituto Evandro Chagas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O vírus Nipah não é novo e já foi identificado em diferentes ocasiões no Sudeste Asiático. Segundo a OMS, o patógeno foi detectado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e desde então apresenta ocorrência recorrente em países como Bangladesh e Índia.

Especialistas explicam que a circulação do vírus está associada a fatores ambientais específicos. O professor Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), apontou que a transmissão está relacionada a uma espécie de morcego presente na Ásia, que atua como reservatório natural do vírus.

Esses morcegos, inexistentes nas Américas, alimentam-se de frutas e de uma seiva doce que também pode ser consumida por humanos e animais domésticos, favorecendo a contaminação em determinados períodos do ano. Há ainda registros de transmissão por meio de secreções de pessoas infectadas.

Para o especialista, a ausência desse hospedeiro natural fora da Ásia reduz significativamente a possibilidade de disseminação global. “A distribuição geográfica desse morcego é restrita à Ásia, o que limita o potencial pandêmico do vírus”, avaliou.

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